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Direito Empresarial Café com Leite

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#234 · 34 min

O Significado do Prêmio Nobel de Economia de 2024 - Algumas das reflexões propostas por Acemoglu, Robinson e Johnson. JOTA - Economia. Publicado em 23/10/2024

Ana Frazão

EP#234: FRAZÃO, Ana. O Significado do Prêmio Nobel de Economia de 2024 - Algumas das reflexões propostas por Acemoglu, Robinson e Johnson. JOTA - Economia. Publicado em 23/10/2024.

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Sobre o episódio

Ana Frazão comenta sobre o significado do Prêmio Nobel de Economia de 2024 .

Apresentação: Amanda Athayde

produção e edição: José Jance Marques

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Transcrição automática, pode conter erros, especialmente em nomes próprios. Clique no horário para ouvir aquele trecho.

Olá, olá, ouvintes! Tudo bem? Bem-vindos à nona temporada do podcast Direito Empresarial Café com Leite. Eu nem acredito que a gente vai fazer quatro anos juntos, ouvindo, discutindo, se deliciando aqui com Direito Empresarial. Esse é o podcast perfeito para quem busca conhecimento jurídico durante o dia a dia. É a sua biblioteca em áudio, gratuita, repleta dos principais textos e autores do direito empresarial no Brasil. Eu sou Amanda Taíde, mineira cruzerense da UFMG na origem, com passagem em São Paulo, no Largo São Francisco, USP, e candanga fluminense e UNB, de coração. Eu sou casada, mãe do Pedro, de quase sete anos. Pedro Cristiano Ronaldo. Do Lucas, de cinco anos. Lucas, Cristiano Ronaldo, Mbappé e Cano. E tutora do Vira Lata, Farofa. Sou professora da UNB e consultora no Pinheiro Neto Advogados, em direito privado, nas áreas de direito da concorrência, comércio internacional, compliance, anticorrupção, acordos de leniência, negociações, direito empresarial em geral.

Esse é um podcast simples, curto e gostoso Como um café da manhã, rapidinho durante a semana Você quer navegar pelo podcast? O nosso novo site foi totalmente remodelado Entrem em podcast.direitaempresarialcafécomleite e vocês virão uma forma completamente nova de navegar pelo nosso podcast Os episódios estão organizados sistematicamente como uma trilha do conhecimento facilitando o acesso de todos vocês a temas como teoria da empresa, fundamentos do direito societário, sociedade limitada, sociedades anônimas e muito mais. Pegue então sua xícara de café com leite ou chá, seu tênis para fazer exercício físico ou seu fone de ouvido para ouvir no seu meio de transporte diário. Vamos então comigo para a próxima xícara de café com leite? A nossa xícara de café com leite de direito empresarial de hoje vai tratar de um artigo intitulado o significado do Prêmio Nobel de Economia de 2024, de autoria da professora Ana Frazão. E para isso a gente vai ter a alegria de receber mais uma vez a professora Ana Frazão aqui para comentar um de seus sempre maravilhosos artigos.

A professora Ana Frazão é fundadora do escritório Ana Frazão Advugados, doutora em Direito Empresarial pela PUC-SP, mestre em Direito do Estado pela Universidade de Brasília, ex-conselheira do CAD, ex-diretora da UNB, é professora de Direito Civil, Comercial e Econômico nos cursos de graduação e pós-graduação da UNB, que eu tenho a alegria enorme de tê-la, portanto, como colega aí na docência. Professora Ana, é sempre uma alegria você ter aceitado o convite para participar do podcast, dessa vez para apresentar, de um modo simples, curto e gostoso, esse tema do Prêmio Nobel de Inoconomia de 2024. Amanda, querida, a alegria é toda minha. Eu só tenho a agradecer mais uma vez pelo convite e reiterar o grande prazer que é participar desse seu podcast, que sem dúvida nenhuma é um grande sucesso. Então, professora Ana, conta para a gente um pouco do processo de redação desse artigo. Você tem uma coluna no Jota. Conta para a gente como que você seleciona os temas para publicar, como que foi a escolha desse tema para escrever também essa coluna?

Armando, eu já trabalho com esses autores há bastante tempo. E já vi, inclusive, dedicado outras colunas do Jota a essas obras. Então, eu tenho uma série que fala sobre novas perspectivas para a regulação dos mercados, e nessa oportunidade eu já tinha tratado dos livros Porque as Nações Fracassam, e também do livro Sobre o Corredor Estreito. Ficou faltando o livro Poder e Progresso, dessa vez com a Semoglu e com o Johnson. E aí, assim que o livro foi lançado, esse é o livro mais recente dentre os três, eu também havia lido, fiquei encantada com o livro e também dediquei uma coluna a eles. E obviamente que já me interessava muito, não só pela perspectiva institucionalista desses autores, que inclusive dialogam muito com a sociologia econômica, ou seja, ele sai um pouco daquele institucionalismo que eu chamaria mais economicista e que muitas vezes é aquele que chega mais facilmente para o direito, como de Douglas North, como o próprio Williamson e tantos outros. Esses autores já trabalham, ao meu ver, com as instituições a partir de uma perspectiva muito mais ampla. Então, já eram autores que estavam no meu radar, autores sobre os quais eu escrevia, autores que eu utilizava nas minhas pesquisas, autores que eu já trabalhava amplamente na POS.

Todos os meus alunos da POS sabem disso, lêem esses textos, a gente discute em sala de aula. De maneira que quando surgiu a notícia do Prêmio Nobel, eu fiquei muito feliz, porque eu sempre tive uma grande admiração por todos eles. Eu acho que é realmente impossível entender o capitalismo na atualidade sem ler esses autores. Achei, portanto, que o prêmio foi muito merecido e que era oportuno, era interessante ressaltar a importância e a relevância da contribuição desses autores em um artigo mais sucinto que pudesse trabalhar essas principais obras e, de certa forma, despertar no leitor a curiosidade para se aprofundar nessas leituras. Então, muitas vezes eu me utilizo dessas colunas para fazer um convite ao leitor, para mostrar o quanto de coisa boa tem sido produzida e, no caso desses três autores, sem dúvida nenhuma, que esse é um convite mais do que merecido para eles e mais do que oportuno para todos aqueles que se interessam por esses assuntos. São livros realmente de leitura obrigatória, de maneira que esse artigo é uma mera pincelada, é uma mera introdução realmente para as ideias desses autores que são, claro, muito mais aprofundadas do que essa abordagem inicial poderia traduzir e exatamente por isso eles merecem ser lidos em sua totalidade.

Indo então para o Prêmio Nobel de Economia de 2024. Na sua visão, professora Ana, quais que foram as principais contribuições, tanto teóricas quanto práticas, dos economistas Acemoglu, Robinson e Johnson, que foram premiados, portanto, neste Nobel? Amanda, de uma forma muito sintética e já sabendo dos riscos que uma resposta sintética diante de autores tão ricos e tão complexos como esses oferecem, eu te diria que para mim essa contribuição seria ressaltar o papel das instituições não só para a conformação dos mercados, não só para o crescimento e desenvolvimento econômico, mas até mesmo para a estruturação da sociedade, da política e das próprias democracias, já que o tema da democracia tem sido cada vez mais explorado por todos esses autores. Veja que falar em instituições, falar em regras do jogo, é falar de um tema que pode ser abordado sob diversas perspectivas, a partir de um processo quase que de seleção natural, em que as instituições mais eficientes prevalecem ou não prevalecem, e tantas outras.

O que me parece muito interessante desses três autores é que, em primeiro lugar, eles resgatam o papel da história para a compreensão e para a formação das instituições. Então, é um convite realmente para que a economia saia um pouco daquela sua clausura científica, daquela sua pretensão de objetividade, de neutralidade, e passe a ser entendida também a partir de uma perspectiva histórica, já que muitas dessas instituições, se não todas, foram elaboradas, depuradas, moldadas ao longo de processos históricos que não necessariamente são replicáveis. Esse é um ponto também muito importante, porque muitas vezes quando a gente vai falar de crescimento e desenvolvimento econômico, há alguns que sustentam que haveria tipo fórmulas, receitas para o crescimento. E, na verdade, isso desconhece os processos históricos, as características culturais de cada país, as dependências de trajetória e tantos outros aspectos que, de fato, são ressaltados quando a gente analisa as instituições por essa perspectiva.

Então, desde já, são autores multidisciplinares que vão nos convidar a entender o fenômeno econômico a partir de uma perspectiva muito mais ampla, que vai utilizar a história, sim, mas não só a história. Um ponto que eu considero também muito relevante da contribuição desses autores é de tentar entender também o papel do poder, das forças de poder, não só o poder constituído, os governos, as instituições formais, como por exemplo os sindicatos, mas também o poder não constituído, esse jogo de forças que é normal, essa luta entre forças opostas, entre poderosos e não poderosos, muitas vezes capitalistas e trabalhadores e tantos outros na conformação dessas instituições. Ou seja, é mostrar que esse processo histórico, ele não acontece a partir de um fluxo natural. Ele é bastante complicado e fruto realmente de muitas e muitas lutas. E esses processos são muito bem abordados em todos esses três livros.

tanto porque as nações fracassam, como também o corredor estreito, como também o poder e progresso. Então, eu diria que, de uma forma geral, a grande importância desses autores é não apenas ressaltar o papel das instituições, mas, sobretudo, tentar compreender essas instituições a partir de uma perspectiva multidisciplinar em que a história, a política e tantas outras áreas do conhecimento e do saber vão ser chamadas também para dar a sua contribuição. Esses autores dialogam muito com a sociologia econômica, porque a sociologia econômica também nos faz pensar no fenômeno econômico a partir da questão do poder, a partir da cognição, dos networks, das instituições. E, na verdade, a própria abordagem que esses autores dão às instituições, ela já possibilita uma série de conexões também com networks, com poder e com cognição. Eu não havia falado ainda da cognição, mas inteligência artificial, fluxo informacional, grandes plataformas são também temas abordados por esses autores, especialmente dentro desses três livros, No Poder e no Progresso.

Então, saber também como muitas vezes as opiniões são formadas ou mesmo moldadas ou mesmo manipuladas vai ser fundamental para entendermos o conhecimento econômico. Então, procurando sintetizar, ao meu ver, essa abordagem multidisciplinar das instituições, sem dúvida nenhuma, seria o grande diferencial desses autores. E de acordo com esses economistas, as instituições econômicas inclusivas diferem das extrativistas? E quais são as implicações dessa diferença que é proposta pelos economistas para o desenvolvimento dos países? Amanda, essa distinção é muito trabalhada no livro porque as nações fracassam. Esse livro procura, desde já, mostrar que algumas das teses que tentariam explicar o sucesso ou não de determinadas nações, como a questão da geografia e tantas outras questões, essas teses não param em pé.

E daí porque eles propõem a explicação que lhes parece adequada, segundo a qual o sucesso de uma nação, ele é uma decorrência de instituições inclusivas. O que seriam essas instituições? São instituições que são apoiadas também em instituições políticas igualmente inclusivas, que são caracterizadas pelo pluralismo, pela centralização, pela prevalência da rule of law, que assegura representatividade para todos os grupos, evitando que uns lutem contra os outros por uma superioridade. Então o exemplo dessas instituições seriam aquelas que foram desenvolvidas nas colônias norte-americanas do norte, porque ali por uma série de circunstâncias a questão climática e tantas outras, as dificuldades para lidar com os indígenas e tantas outras, ali houve a necessidade de que para que houvesse em primeiro lugar interesse de colonos mais do que simplesmente oferecer uma terra para que eles pudessem ali se assentar e plantar e ter uma atividade econômica, era importante também assegurar a eles uma certa autonomia, ou seja, aqui a inclusão econômica e a inclusão política elas são as duas faces da mesma moeda e é por isso que nesse contexto houve incentivos adequados para que todos florescessem ao mesmo tempo.

Isso não acontece em diversos outros países, como é o caso do Brasil, se basearam no latifúndio. Então, aqui nunca houve uma preocupação nem com a inclusão econômica, porque muitos poucos tinham acesso ao ativo principal da época, que era a terra, e muito menos a inclusão política. Então quando isso acontece, você não só não tem incentivos para o crescimento econômico, como na verdade você tem incentivos para que poucos extraiam todos os benefícios do crescimento econômico em detrimento da grande maioria. E isso costuma deixar um legado muito duro. Isso costuma criar ciclos viciosos de pobreza, que impedem o crescimento sustentável e são muito difíceis de serem quebrados. porque também há toda uma cultura que se instaura aí e que também se torna um certo obstáculo. Então, as regras do jogo, elas moldam não só comportamentos, mas as formas de pensar das pessoas.

E, obviamente, tudo isso é fundamental para que a gente possa entender em que medida elas terão ou não incentivos para se dedicarem às atividades econômicas ou não. Então para esses autores, qual o papel da tecnologia na sociedade e por que eles alertam para os riscos de um determinismo tecnológico? Essa pergunta já nos desloca para o último livro desse artigo que é o Poder e Progresso, do Acemoglu e do Johnson que é um livro em que eles vão tentar entender o papel da tecnologia no crescimento econômico e na prosperidade. E ao contrário do que se pensa, eles procuram romper com esse tecno-otimismo, aquela ideia de que toda inovação é boa e toda inovação gera prosperidade. Então eles fazem um exame de mil anos da história da humanidade, mostrando que várias inovações tecnológicas, nos momentos em que foram realmente, começam a ser utilizadas, Essas inovações, elas não trouxeram benefícios sociais.

Em muitos casos, elas possibilitaram que os benefícios fossem apropriados por uma minoria, em detrimento de uma maioria que, inclusive, ficou ainda mais excluída após a implementação dessas tecnologias. Então, o que esses autores nos mostram é que, se hoje chegamos a um grande aumento da melhoria de vida da população, se de fato hoje a gente consegue verificar que houve sim uma trajetória de progresso, que isso não aconteceu apenas pela tecnologia em si e muito menos por aqueles que inventaram ou começaram a explorar essas tecnologias. Isso aconteceu em razão de uma série de lutas sociais, de regulações, do próprio papel do direito, que sempre que se via diante desses problemas sociais gerados pela tecnologia, souberam então encontrar novos arranjos para distribuir melhor os resultados desse tipo de tecnologia. Então vejam que com isso, eles rompem ao mesmo tempo, não só esse determinismo tecnológico, porque eles mostram que, ao fim e ao cabo, as tecnologias são sempre escolhas, é alguém que vai inventar, é alguém que vai resolver utilizar, mas os resultados sociais delas também são objeto de uma escolha.

Escolha por parte de uma sociedade, por parte de governos, que vão decidir se aqueles resultados são possíveis ou não, se eles são adequados ou não, se eles precisam ou não ser redistribuídos socialmente. então além de mostrarem que a gente não poderia e não deveria cogitar desse determinismo tecnológico além de tudo eles mostram que também não há razões para esse tecno-otimismo o que é realmente uma razão a mais para pensarmos na regulação dessas tecnologias em pró das democracias e do bem de todos também é um ponto que eu considero muito importante desses autores eles exploram em vários momentos do livro, em vários dos seus outros escritos, uma preocupação que eu tenho, Amanda, que é muitas vezes o que nós chamamos de determinismo tecnológico é uma nova faceta do determinismo econômico, porque ao fim e ao cabo são grandes agentes econômicos que têm escolhido as tecnologias que serão utilizadas por todos nós. E nesse processo de escolha, eles podem estar priorizando os seus interesses em detrimento dos interesses dos demais.

Eles podem estar assumindo riscos excessivos, eles podem estar gerando externalidades negativas, eles podem estar provocando danos irreversíveis ou de difícil reversibilidade e nós precisamos estar atentos a tudo isso. Espera só um pouquinho que eu já volto para a nossa entrevista. Que você curte Direito Empresarial, eu já sei. que você está aqui ouvindo o nosso podcast. A minha pergunta é, você sabe quão conectado o direito concorrencial está do direito empresarial? Tem interesse em se aprofundar nesse tema? No primeiro semestre de 2025, eu vou lançar a segunda turma da minha pós-graduação em direito concorrencial. É uma pós-graduação totalmente virtual, registrada no MEC, com conteúdo linear, completo e extremamente atualizado, que visa preparar os alunos para os problemas práticos do dia a dia. Operações societárias que são de notificação obrigatória ao CAD, cláusulas contratuais, práticas empresariais, como que o direito concorrencial se relaciona com outras áreas do direito.

Se você ficou curioso e interessado em como que esse conhecimento pode contribuir na sua formação jurídica e na sua atuação prática, eu te faço o convite. Entra no site Pós em Direito Concorrencial e se inscreva na nova pós-graduação que eu estou lançando, portanto, agora, em 2025, a Turma 2. Eu espero você lá. Eu já peguei minha xícara de café com leite e a gente pode voltar para a nossa entrevista. E como, então, que os autores justificam a necessidade de regulação e intervenção estatal na economia, especialmente em relação a problemas como externalidades e desigualdade? Essa pergunta é muito interessante porque ela nos leva a uma conclusão importante que é esses autores não são e não podem ser vistos como defensores dos livros mercados pelo contrário, são autores para os quais a regulação é extremamente importante exatamente para equilibrar esse jogo de forças, para conter efeitos danosos da tecnologia, como a gente viu na pergunta anterior, e uma série de outras questões.

Na verdade, eles propõem uma série de soluções. Todos esses livros, mas especialmente o Corredor Estreito e o Poder e Tecnologia, eles propõem uma série de soluções para essa regulação. Vou dar um exemplo, no corredor estreito, eles deixam muito claro que para conter essas vicissitudes do mercado, o Estado precisa ser forte, o Estado precisa ser forte para segurar a democracia, para segurar mercados funcionais e competitivos, mas ao mesmo tempo em que ele precisa ser forte para isso, inclusive para conter a chamada tirania privada, então a questão do poder econômico excessivo de alguns agentes que podem oprimir os outros, é muito trabalhada também por esses autores. Então, ao mesmo tempo em que o Estado precisa ser forte para tudo isso, ele também precisa ter o seu poder reduzido, porque se assim não for, há todo risco de Estados totalitários que também violem as liberdades dos cidadãos. Esse livro eu acho muito interessante, porque ele nos mostra que nós não temos que escolher entre a tirania do Estado e o que ele chama de tirania privada, que é aquela tirania que é implementada por grandes agentes privados dotados de grande poder econômico.

O que ele nos diz é, para uma vida livre, nós precisamos estar a salvo dessas tiranias e dessas coerções. E é por isso que a gente precisa encontrar mecanismos regulatórios para esse equilíbrio. E esse mesmo raciocínio acontecerá em relação à tecnologia, já que a tecnologia é também um vetor de regulação e sobre vários aspectos é o vetor mais eficiente de regulação porque em muitos casos ela neutraliza por completo a autonomia moral do indivíduo e determina a ação e a conduta que será produzida a partir da sua utilização. Então veja Amanda que esses autores na verdade trabalham e tem diálogos muito interessantes com o próprio direito. A todo momento eles estão enfatizando a importância da liberdade econômica e da liberdade política. A todo momento eles mostram como uma série de atores são importantes para ambas as questões. Então, voltando, por exemplo, ao livro Corredor Estreito, uma parte muito interessante da análise dos autores é quando eles ressaltam a importância dos sindicatos, inclusive enaltecem o crescimento e desenvolvimento econômico que aconteceu nos países escandinavos, mostrando a importância dessa diluição de poder político econômico e a importância dos sindicatos.

Dupla importância, uma primeira importância do ponto de vista econômico, porque os sindicatos exercem um poder compensatório diante do poder econômico dos empregadores e com isso a gente conseguiria arranjos e contratos muito mais justos e equitativos, mas também eles ressaltam a importância política dos sindicatos. Então vejam que todos esses temas acabam se interrelacionando e de certa forma ler esses autores é algo muito rico para o jurista porque a gente vê como muitas das nossas preocupações convergem com as preocupações dos economistas e mais do que isso a gente percebe como várias preocupações políticas elas também têm desdobramentos econômicos e vice-versa, de maneira que as soluções jurídicas precisariam endereçar simultaneamente esses dois desdobramentos. Então, na sua visão, professora Ana, de que maneira essa premiação dos economistas a Simoglu, Robson e Johnson reforça a importância de uma visão multidisciplinar para entender os problemas econômicos e sociais atuais?

Amanda, ela reforça assim no sentido máximo que a gente poderia dar a esse termo ela é quase uma constatação de que para problemas sociais complexos a gente não vai poder se basear apenas em uma área do conhecimento e mais do que isso não só a economia é muito séria para ficar restrita apenas a economistas como a própria economia precisa se abrir, precisa dialogar mais com a ciência política, com a história com uma série de outras ciências sociais e áreas do saber para que possa oferecer soluções para problemas complexos. A gente não consegue nem mesmo compreender o mundo sem essa abordagem multidisciplinar. Quanto mais propor soluções execuíveis. Então, nesse sentido, me parece que esses autores eles rompem com essa visão ortodoxa da economia, que é uma visão neutra, objetiva, quase que matemática. Então, a gente tira da economia as discussões políticas, as discussões éticas, as discussões morais, as discussões históricas, a gente reduz o homem a um maximizador racional de utilidades individuais como se isso resolvesse as questões.

E não é. E sem dúvida nenhuma que dentre todas as preocupações dos autores, a introdução do poder mostrar que a economia ela é necessariamente política, ela foi criada como ciência com o nome economia política por uma razão muito óbvia. O fenômeno econômico não pode se dissociar do fenômeno político. Então, sem dúvida nenhuma que a obra desses autores robustece essas conclusões todas. E agora uma pergunta ampla, caso você queira comentar outros pontos do pensamento desses autores ou outros temas dessa relação entre direito e economia, que é objeto, portanto, também de um podcast excelente que você conduz. comenta para a gente, para os nossos ouvintes, outros autores ou outros temas que eles podem ter de reflexão nessa interface. Amanda, eu acho que um ponto muito importante desses autores é mostrar a relação intrínseca entre liberdade prosperidade e crescimento econômico, porque prosperidade e crescimento econômico originam-se de princípios básicos que vão incluir incentivos para as pessoas investirem, experimentarem, inovarem Mas esses incentivos dependem necessariamente do Estado.

Há necessidade de um direito para adjudicar disputas, para proteger direitos de propriedade, para proteger contratos. Mas a questão é que, para que de fato tudo isso aconteça, não basta que o Estado simplesmente proteja propriedade e contrato. É necessário que as oportunidades sejam amplas e justamente distribuídas na sociedade. é necessário que as instituições econômicas elas sejam apoiadas por instituições políticas igualmente inclusivas que evitem a monopolização de um poder político por um segmento muito pequeno da sociedade. Então os próprios autores quando eles vão falar do papel do Estado eles são N exemplos da necessidade de intervenção do Estado sobre os mercados seja para endereçar externalidades como é o caso da poluição seja para segurar bens públicos dos quais todos obtêm benefícios seja para enfrentar situações de informação assimétrica seja para conter o abuso do poder econômico que eu sei que é um tema muito relevante para todos nós incluindo você e mais do que isso eles também chegam a falar da importância da intervenção governamental para a redistribuição de recursos para a limitação da desigualdade porque com níveis muito altos de desigualdade não há uma distribuição equitativa de oportunidades econômicas.

E mais uma vez, quando a gente fala em desigualdade econômica, esse ponto necessariamente está conectado também à desigualdade política. Então eles também defendem a intervenção do Estado para reequilibrar o poder político dos agentes envolvidos, tal como eu mencionei naquele exemplo dos sindicatos. e o aumento da desigualdade, sem dúvida nenhuma, é um ponto muito importante para esses autores. Então, eles exploram as discussões sobre o setor financeiro, os enormes lucros que ele tem, a diminuição do emprego, as big techs, as empresas sem regulação. Eles se preocupam muito com a perda de confiança nas instituições, porque é o que ele diz, a gente precisa de instituições inclusivas fortes com desdobramentos políticos e econômicos, se a gente quiser realmente um crescimento e um desenvolvimento consistente. E, como eu disse, cada vez mais eles se preocupam também com a democracia. Então, eles tratam da importância de medidas como reduzir contribuição para campanhas eleitorais por grandes empresas, limitar o impacto do lobby, aumentar a mobilização da sociedade.

Enfim, Amanda, são realmente em muitos e muitos pontos. É uma verdadeira pauta de preocupações, não só para economistas, como para cientistas sociais e juristas também. E por fim, diante do sucesso dessa pergunta, na última temporada, a gente continua, nessa nova temporada, a pergunta de quem é você na pessoa física? Conta um pouquinho mais para a gente dos seus gostos, dos seus interesses, como você usa seu tempo livre e se você também ouve aí episódios de podcasts que não sejam jurídicos, que possam aí informar também os nossos ouvintes. Eita, Amanda, para quem tem sol e lua em gêmeos e talvez tenha quase que quatro personalidades, essa é uma pergunta difícil de ser respondida. Segundo meu marido, não tem quatro personalidades. Eu tenho, na verdade, quatro anos. Eu tenho uma criança, uma adolescente, uma adulta e uma velhinha e elas se alternam sempre com seus diversos gostos. Mas eu diria que tem um fio condutor aí em todas elas.

Eu acho que na pessoa física e fora da área do direito, da área profissional e mais técnica, todas elas gostam muito de arte, de viagem, de gastronomia, de vinhos. Então, eu realmente curto esses prazeres da vida, estar com os amigos, conhecer novos lugares. eu acho que a curiosidade intelectual que eu tenho no direito e nas outras áreas se projeta também por conhecer novos países, novas culturas, novas pessoas, eu gosto muito de gente então conhecer pessoas novas pra mim é sempre um prazer, eu não me sinto assim, intimidada, eu gosto desses desafios e então eu acho que dentro do possível das dificuldades dessa autodefinição essa seria talvez a Ana, pessoa física gosto muito de esportes e atividade física também e com o passar do tempo percebi claramente que se eu gosto de comer bem, de tomar o meu vinho no final de semana eu precisaria também fazer bastante atividade física e mergulhar de cabeça nisso passei a gostar realmente de várias dessas atividades a fazer por prazer então também no meu tempo livre eu me dedico a essas atividades Muito obrigada pela sua presença e até a próxima.

Amanda, eu que agradeço a você mais uma vez essa oportunidade. Eu fiquei muito feliz de poder falar da obra desses autores. Até então, eu só tinha participado para falar das minhas próprias obras, mas sem dúvida nenhuma que esses autores, eu acho que, como eu já disse aqui, são autores de leitura obrigatória. E eu espero realmente que todos os seus ouvintes olhem para esses autores com simpatia. Comprem os livros, comecem a leitura, porque com certeza vão gostar muito. E quanto ao convite, eu só tenho a agradecer e desejar para você sempre muito sucesso, querida. Um beijo. A nossa xícara de café com leite foi devidamente tomada. Agradecendo aqui a nossa convidada pela presença, a vocês pela audiência. Se vocês tiverem sugestões, comentários, não deixem de me procurar. No LinkedIn, Amanda Taíde, no Instagram, Direito Empresarial Café com Leite e também, caso vocês tenham meu contato, podem me mandar mensagem no WhatsApp. Um abraço a todos. Tchau, tchau.