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Direito Empresarial Café com Leite

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#237 · 34 min

Por uma cadeira de "Finanças & contabilidade corporativas" na matriz curricular do direito societário brasileiro

Henrique Cunha Barbosa

EP#237: BARBOSA, Henrique Cunha. Por uma cadeira de "Finanças & contabilidade corporativas" na matriz curricular do direito societário brasileiro.

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Sobre o episódio

Henrique Cunha defende uma cadeira de "Finanças & contabilidade corporativas" na matriz curricular do direito societário brasileiro.

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Olá, olá, ouvintes! Tudo bem? Bem-vindos à nona temporada do podcast Direito Empresarial Café com Leite. Eu nem acredito que a gente vai fazer quatro anos juntos, ouvindo, discutindo, se deliciando aqui com o Direito Empresarial. Esse é o podcast perfeito para quem busca conhecimento jurídico durante o dia a dia. É a sua biblioteca em áudio, gratuita, repleta dos principais textos e autores do direito empresarial no Brasil. Eu sou Amanda Taíde, mineira cruzerense da UFMG na origem, com passagem em São Paulo, no Largo São Francisco, USP, e candanga fluminense e UNB, de coração. Eu sou casada, mãe do Pedro, de quase sete anos. Pedro Cristiano Ronaldo. Do Lucas, de cinco anos. Lucas, Cristiano Ronaldo, Mbappé e Cano. E tutora do Vira Lata, da Farofa. Sou professora da UNB e consultora no Pinheiro Neto Advogados, em Direito Privado, nas áreas de Direito da Concorrência, Comércio Internacional, Compliance Anticorrupção, Acordos de Leniência e Negociações, Direito Empresarial em geral.

Esse é um podcast simples, curto e gostoso Como um café da manhã, rapidinho durante a semana Você quer navegar pelo podcast? O nosso novo site foi totalmente remodelado Entrem em podcast.direitaempresarialcafécomleite e vocês virão uma forma completamente nova de navegar pelo nosso podcast Os episódios estão organizados sistematicamente como uma trilha do conhecimento facilitando o acesso de todos vocês a temas como teoria da empresa, fundamentos do direito societário sociedade limitada, sociedades anônimas e muito mais pegue então sua xícara de café com leite ou chá seu tênis para fazer exercício físico ou seu fone de ouvido para ouvir no seu meio de transporte diário vamos então comigo para a próxima xícara de café com leite? a nossa xícara de café com leite de direito empresarial de hoje vai tratar do artigo do professor Henrique Barbosa intitulado por uma cadeira de finanças e contabilidade corporativas na matriz curricular do direito societário brasileiro.

E para isso a gente vai ter a alegria de contar com a participação do próprio autor, Henrique Barbosa, para comentar o seu artigo. O professor Henrique Barbosa é doutor em Direito Comercial pela USP, professor do LLM do INSP, do IBIMEC, da GV Rio e da PUC Rio Grande do Sul. É presidente atualmente do Ibradempe e sócio do Barbosa e Barbosa Advogados. É também mineiro e atlanticano. O professor Henrique tem aqui uma atuação já super conhecida no direito societário e é uma alegria, portanto, enorme tê-lo aqui para participar do nosso podcast por apresentar de um modo simples, curto e gostoso a sua visão sobre a importância da formação e a visão multidisciplinar no âmbito do direito empresarial. Minha querida professora Amanda, a alegria toda minha de poder estar aqui compartilhando essa xícara de café com leite com você, ter dois mineiros juntos é sempre uma chance especial de boa prosa e troca de ideias. Esse foro que você tão brilhantemente construiu aqui nos últimos anos é hoje merecedor de todos os aplausos e representa um dos mais belos acervos do direito empresarial brasileiro.

E eu devo não só lhe parabenizar, mas confessar que de longa data ansiava por poder estar aqui batendo esse papo com você, mas sabedora, obviamente, de que a fase do seu cruzeiro não permitia tão facilmente ter um atleticano aqui nessa troca de ideias, mas certamente vai ser uma delícia a gente conversar um pouquinho. Para a gente começar, professor Henrique, qual que foi então a sua motivação para escrever sobre esse tema que explora a necessidade de formação mais integrada entre as disciplinas de direito, finanças e contabilidade para os advogados que atuam na área societária. Como que foi o processo de escrita do artigo? Aonde que ele foi publicado? Se você puder aí aproveitar para a gente divulgar essa iniciativa do Ibrademp também do ano de 2024. Bom, Amanda, a ideia de escrever esse texto ela é fruto de uma percepção que foi se consolidando para mim ao longo dos anos, de um distanciamento muito grande e perigoso em uma série de aspectos que os profissionais do direito societário societário tem, seja na sua formação, seja na atuação prática, da temática das finanças e da contabilidade corporativas.

Eu já tinha alguns escritos sobre isso no passado, mas recebendo um convite do querido amigo Ítalo Martins, que junto com o Chico Musnick e o Roberto Quiroga coordeno a revista Direito Societário e M&A, que é fruto de uma parceria da Revista dos Tribunais com o CM&A lá da USP, que é um foro belíssimo também, onde se discute temas de M&A e de finanças corporativas, eu entendi que pela qualidade e capilaridade da revista seria uma oportunidade legal de fazer essa provocação e ver qual seria a receptividade disso no âmbito da academia, tocar diretamente nessa ferida para tentar fomentar um pouquinho mais esse debate. Isso foi publicado no volume 4 da revista de direito societário e M&A, que hoje, salvo engano, já está lá, a revista é semestral, hoje, salvo engano, a revista já está no seu volume 6, e todos eles com um acervo belíssimo e que vale aqui a consulta.

aproveitando o seu gancho gentil para a gente falar um pouquinho de Ibrademp, onde hoje eu tenho a honra e alegria de sentar na cadeira de presidente e tê-la como coordenadora da Comissão de Direito Concorrencial. O Ibrademp completou seus 20 anos no ano passado e hoje ganhou uma dimensão, felizmente, bastante grande e prestigiada. Hoje o Ibrademp tem suas 10 comissões temáticas, sob os mais diversos eixos no entorno do direito empresarial. Essas comissões reunidas realizam algo em torno de 70 reuniões anuais, entre reuniões online e reuniões presenciais, e algumas com interação entre as diversas comissões. No ano passado tivemos o nosso congresso de 20 anos, concluímos o ano com o lançamento também de uma belíssima obra coletiva de direito empresarial em celebração aos 20 anos do Ibrademp com temas escritos por coordenadores ou membros efetivos dessas nossas 10 comissões temáticas enfim, fica aqui o convite para que todos aqueles que eventualmente não conhecem, venham conhecer o Ibrademp, acessem suas redes sociais eventualmente façam contato com você ou comigo para vir participar como convidados nossos de alguma reunião e possam se engajar ali para que a gente possa sempre enriquecer e sofisticar os bons debates.

E agradeço novamente por essa gentil oportunidade. Então, vamos entender um pouquinho da origem dessa sua percepção a respeito do distanciamento prático entre os profissionais do direito e a temática financeira contábil. Como que você percebeu esse distanciamento ao longo dos anos? Eu tive a sorte desde muito cedo na minha carreira profissional poder atuar com direito societário. Fosse em operações GEMENEI, fosse num consultivo societário bastante intenso, fosse no contencioso estratégico. Então isso, depois de mais de 20 anos de atuação, somado à carreira acadêmica e ao fato de atuar principalmente hoje como professor de pós-graduação foi me fazendo perceber no dia a dia, seja em mesa de operação, seja discutindo com colegas ou com advogados de jurídico interno sobre temas que eram postos à nossa consulta ou no enfrentamento de algumas disputas ali do contencioso o quão falho era ou a percepção de certos conceitos ou o quão às vezes limitada era a compreensão da própria questão macro porque se olhava de modo muito obtuso ali para o aspecto eminentemente jurídico que se perdia de mira, o aspecto estratégico, negocial e a racional financeira por trás daquele tema que estava posto na mesa ou do outro lado, se a gente trazendo de novo para o contencioso quão difícil era às vezes explicar para um juiz que um aumento de capital nem sempre é positivo para a empresa entender, mostrar para ele o que é um conceito da ideia de custo de capital, que dinheiro do sócio sob a ótica financeira não raro é mais caro para a sociedade do que o dinheiro de banco, que dívida não raro é saudável por uma série de aspectos, enfim, por uma gama de fatores fosse em sala de aula, fosse nesse dia a dia profissional, isso foi ficando claro para mim que a gente tem essa carência ainda na prática.

Isso, como eu mencionei anteriormente, já tinha me motivado. Eu e o amigo Sérgio Botrel, que é um baita advogado, mas hoje atua no universo de finanças, com fundos de private equity, distressed investment, mas tem uma essência, um nascedor também no direito societário e no M&A, a gente coordenou juntos ainda em 2015 uma obra que era chamada de Finanças Corporativas, Aspectos Jurídicos e Estratégicos, cujo mote era essa análise eminentemente jurídica, mas sobre o viés financeiro dos temas de direito societário, pois em 2018 para 2019 fizemos um segundo volume que era chamado novos temas de direito e corporate finance. E no meu dia a dia, talvez por ter ficado lá 13 anos na coordenação do pós do IDEMEC, também isso me ajudou muito a conviver com os outros cursos, os outros universos, especialmente de finanças, de contabilidade e de gestão. Esses conceitos talvez ficassem mais claros e mais intensos para mim e era mais fácil levar isso para a mesa, para o dia a dia e tornar isso mais perceptível.

Enfim, foi essa conjugação de fatores que me fez materialmente perceber essa discrepância e esse apartamento de multidisciplinariedade. Então, ao longo dos anos, pela sua visão, há, portanto, essa deficiência histórica dos alunos de direito, dos advogados e empresarial em relação a temas de contabilidade e finanças. A partir dessa sua percepção, qual que é a origem desse distanciamento entre essas duas áreas, entre esses dois ramos do conhecimento? Acho que tem uma conjugação de fatores aqui, e que acabam redundando num fator que foi culturalmente arraigado, que foi o distanciamento na formação jurídica tradicional, especialmente em sede de graduação, apartada dessa multidisciplinariedade ou dessa interdisciplinariedade e dessa estranha noção, ignorando uma lição mais do que centenária do Roku, de que o fato de que uma eventual ciência pode ser autônoma, mas não significa que ela seja isolada ou independente de um estudo conjugado com outras ciências complementares, como é o caso, claro, a meu juízo, entre a ciência jurídica e as ciências financeiras e contábeis.

Mas o que é curioso também é que esse tema não é estranho na nossa produção jurídica histórica. Se a gente voltar na obra seminal e belíssima, um dos maiores clássicos, que é o do professor Bulhões, o Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia, onde ele já tratava desses temas de modo congregado ali, de modo absolutamente didático e completo e claro, transparente, ou outras obras como o regime do capital autorizado, professor Guerreiro, enfim, mas o fato é que quando a gente compara com os sistemas estrangeiros, se a gente olha, está certo, os sistemas talvez, as ações tenham um pouquinho mais disso, mas se a gente pegar um sistema de direito continental, codificado como o nosso, comparativamente, eu vou fazer menção aqui, no texto eu faço de N e outros, mas aqui, exemplificativamente, vale mencionar o manual de Corporate Finance da professora Ana Pelestrello de Oliveira, da Universidade de Lisboa, que é um manual em português, completíssimo, que trata todos sobre esses temas, mas a maioria dos alunos, outros profissionais, aquilo, lamentavelmente, desconhece.

conhece, e a gente não tem também uma obra sistematizada dessa natureza na nossa doutrina, pelo menos que eu conheça até aqui. Enfim, isso faz com que, óbvio, talvez tenha um fator também de o Brasil ter entrado um tanto tardiamente num contexto robusto do que é o direito societário no nível de dinamismo, sofisticação técnica e volume financeiro envolvendo as operações societárias. Eu digo tardiamente, mas especialmente pós segundo governo Fernando Henrique, ali o período das desestatizações e investimentos estrangeiros, as grandes operações e reorganizações societárias. Enfim, depois o boom de liquidez do nosso mercado de capitais da primeira década dos anos 2000. Mas o fato, e aí devo reconhecer também que depois dali algumas instituições, e aí para nominar pelas aquelas que eu conheço de dentro ali, como por exemplo INSPE, FGV, tem e tratem as matérias com outra pegada o fato que a grande base e a grande massa que eu mencionei lá atrás, ainda tem currículos que estão parados no tempo, e que ou bem sequer consideram, sequer analisam essas matérias, ou quando muito também as tratam de maneira divorciada uma das outras.

Voltando naquela história da lição do Roco, tratando como se essas matérias fossem autônomas e não merecessem ser analisadas de modo conjunto. Até por isso eu entendo que a ideia seria tratar de modo congregado de uma cadeira de finanças e contabilidade corporativas. Espera só um pouquinho que eu já volto pra nossa entrevista. Que você curte Direito Empresarial eu já sei. que você está aqui ouvindo o nosso podcast. A minha pergunta é, você sabe quão conectado o direito concorrencial está do direito empresarial? Tem interesse em se aprofundar nesse tema? No primeiro semestre de 2025, eu vou lançar a segunda turma da minha pós-graduação em direito concorrencial. É uma pós-graduação totalmente virtual, registrada no MEC, com conteúdo linear, completo e extremamente atualizado, que visa preparar os alunos para os problemas práticos do dia a dia. Operações societárias que são de notificação obrigatória ao CAD, cláusulas contratuais, práticas empresariais, como que o direito concorrencial se relaciona com outras áreas do direito.

Se você ficou curioso e interessado em como que esse conhecimento pode contribuir na sua formação jurídica e na sua atuação prática, eu te faço o convite. Entra no site Pós em Direito Concorrencial e se inscreva na nova pós-graduação que eu estou lançando, portanto, agora, em 2025, a Turma 2. Eu espero você lá. Eu já peguei minha xícara de café com leite e a gente pode voltar para a nossa entrevista. Então, na sua visão, professor, em quais aspectos o conhecimento teórico e prático de finanças e contabilidade agrega ao conhecimento jurídico empresarial? E quais que são também as consequências de uma incompreensão desses temas na formação jurídica e na atuação profissional dos advogados? Bom, se a gente considera que o papel do advogado corporativo, societário, é fundamentalmente de identificar e mitigar risco por um aspecto, mas de potencializar o resultado que o empresário pretende, às vezes entregando um outro instrumento jurídico para chegar no mesmo lugar ou no lugar mais próximo daquilo que o empresário pretende, é fundamental que o advogado entenda como esse empresário e esse tomador de decisão pensa.

E aí, não só sobre a ética estratégica, mas, de novo, entendendo essa racional decisória por trás dele, sobre o aspecto financeiro também, mas compreendendo não só os limites ou possibilidades jurídicas que estão à disposição dele, mas as consequências contábeis que também estão envolvidas. E especialmente de 2007 para cá, com muito maior ênfase a partir de 2013, 2014, com a adoção indefinitiva do Brasil das regras de contabilidade internacional e todo o regramento que vem a reboque disso e toda essa nova vertente de essência sobre a forma, true and fair view, da contabilidade moderna, dessa contabilidade pro mercado e pro stakeholder, é fundamental se entender esses conceitos, sob pena do advogado ficar meio caminho de uma boa solução ou não conseguir entregar tudo que ele pode ou às vezes acabar dando um tiro no pé. De novo, se a gente pegar alguns exemplos concretos, entender a distinção dos prós e contras de autofinanciamento ou do chamado hétero financiamento, ou seja, de dinheiro para o capital próprio ou de capital de terceiros, entre equity e dívida, entre o que é pegar dinheiro do sócio e quanto isso custa e quais são as racionais e prós e contas vantagens e desvantagens por trás disso e tomar dinheiro no banco e igualmente as vantagens e desvantagens entender de novo a partir disso que é a ideia de custo de capital e que um aumento de capital nem sempre é no melhor interesse da companhia, embora na cabeça de um juiz isso, ah se o sócio está botando dinheiro é porque ele quer o bem do negócio nisso, está longe de ser uma realidade concreta.

Seja para destruir isso, seja para construir também, botar de pé um aumento de capital sólido, com o preço de formação das ações, condizente com a racional da lei, obviamente construído por trás de números e critérios de valuation, não só amparados pelo critério legislativo, mas também sob a ótica das próprias finanças. Entender o tipo de financiamento que eu vou buscar, enfim, ajudar a construir a própria tese de investimento de um M&A, isso tudo está diretamente concatenado ou é reflexo do maior ou melhor conhecimento disso. Há alguns podcasts atrás, você entrevistou aqui o professor Proença e o professor Eduardo, naquele belíssimo manual deles de reorganização societária, recuperação de empresas e finanças, onde eles deram uma série de exemplos disso. Enfim, no texto eu trago um volume muito mais intenso de exemplos, tanto de casos concretos quanto de hipóteses, mas acho que não resta dúvida de que bem compreender toda essa tríade entre finanças, contabilidade e direito de modo coeso é fundamental.

E, de novo, eu não estou falando aqui que o advogado precisa ser um especialista. esse cara não é o cara que vai fazer o valuation, não tem que ter a competência de um auditor para fazer uma demonstração financeira, mas ele tem que saber lê-las, interpretá-las e entender as racionais e consequências por trás da sua decisão, para que a partir daí ele busque um instrumento jurídico que melhor se adapte a ela, mitigando o risco, potencializando o resultado daquele desejo do empresário e driblando, no bom sentido aqui, não burlando, mas sabendo jogar com o limite da lei e da regulamentação as barreiras e externalidades, seja da regulação contábil, seja dos limites da realidade financeira. E para a gente entrar um pouco mais no artigo em si, no artigo você apresenta conceitos como decisões de investimento, decisões de financiamento e decisões de dividendos. Conta um pouquinho para a gente das diferenças desses conceitos e como que eles equilibram o que você chama de tripé decisório empresarial.

Legal. Bom, esse tripé aí é o que, de novo, a teoria da administração e a teoria das finanças vão apontar para a gente como a matriz decisória que vai pautar as opções feitas no dia a dia dos empresários, considerando todos esses fatores que a gente já ponderou aqui ao longo do nosso papo, partindo das chamadas decisões de investimento, ou seja, aonde ele vai empreitar, onde ele vai investir, onde ele vai aportar os recursos dele, qual vai ser o objeto daquela sociedade. E quando a gente olhar para a contabilidade, fazendo de novo essa correlação temática entre as matérias, eu vou estar pensando ali, olhando basicamente para a coluna do ativo ali, como é que eu compus o meu ativo, ou seja, onde eu pus e aportei dinheiro, e portanto vou conseguir aferir qual é o risco operacional daquele negócio. Mas para isso, e até para que ele possa investir e empreitar, ele precisa tomar, antes disso, as chamadas decisões de financiamento. Ou seja, onde ele vai buscar recursos, onde ele vai tomar o funding para esse negócio. Seja via autofinanciamento, que a gente mencionou, ou seja, recursos próprios, recursos de sócios, seja via heterofinanciamento, ou seja, buscando dívida.

E aí, olhando de novo para a contabilidade, isso vai estar representado ali na coluna do meu passivo e vai apontar, fazendo essa matemática aí entre a composição do que foi capital próprio e dentro disso de qual é a expectativa de retorno daquele investidor naquele negócio, somado ao custo da minha dívida, do que eu eventualmente captei via dívida, é o que vai compor o custo de capital, ou seja, quanto aquela somatória de recursos custa para a sociedade no final do dia e, portanto, olhando ali para a coluna do meu passivo, eu vou ter não só esse custo de capital, mas também conseguir aferir qual é o risco financeiro daquele negócio, sopesando esse risco entre o que eu tomei de recurso próprio e o que eu tomei de recurso de terceiros. E finalmente, posta a maquininha para funcionar, ou seja, busquei meus recursos, investi, e agora a gente chega finalmente nas chamadas decisões de dividendos, que é com os recursos aferidos com aquele negócio, o que eu vou fazer? O quanto eu vou reinvestir, ou o quanto eu vou reter em caixa e a que título, ou o quanto eu vou devolver, e também aqui título, para os meus acionistas, para os meus sócios, para os meus investidores.

E a boa conjugação desse chamado tripé aí entre tomar recursos num mix adequado de equity e dívida, alocar em atividades que são rentáveis e operacionalmente minimamente previsíveis e ao final do dia devolver recursos numa quantidade adequada e que mantenha o meu acionista e investidor satisfeito e não queira simplesmente pegar a grana dele e investir num outro negócio em função de custo de oportunidade. Mas sem perder de mira a necessidade de preservar o caixa e a liquidez da companhia e a capacidade de investimento futuro, é que vai compor e representar no final do dia o sucesso maior ou menor do que é uma empresa, do que é um negócio. E aí isso permite a gente voltar de novo num outro exemplo da sua provocação da pergunta anterior, de como é que o desconhecimento dessas matérias pode eventualmente afetar o dia a dia do advogado societário, do advogado corporativo. Quando a gente pensa no que é toda a estrutura de retenções, reservas e alocações de resultados na SA, por exemplo, toda a sistemática dos artigos 189 e seguintes da lei, a boa compreensão daquilo ali é fundamental, seja sob o aspecto regulatório e jurídico, mas também contábil financeiro para que eu consiga, efetivamente, se eu tiver com o chapéu de administrador ou de controlador, reter e manter recursos em caixa sem prejudicar a figura do dividendo obrigatório do acionista ou as diversas espécies de dividendos que haja em benefício de uma ou outra classe de ação preferencial, mas que eu consiga fazer isso dentro dos critérios legais sem usurpar ou sem burlar o sistema de retenções e reservas e as suas balizas postas na lei.

Da mesma maneira, bem compreender isso sob a ótica do minoritário é o que vai permitir que você derrube uma eventual retenção ou criação de reserva abusiva ou contrária à sistemática tão bem arquitetada pelo sistema da lei. Então, a partir dessa identificação dos conceitos e dessa necessidade de aproximação dessas áreas de conhecimento, qual que é a sua proposta para solucionar essa deficiência na formação de advogados societários em relação ao estudo dessas interseções entre o direito societário e as ciências contábeis e financeiras? Essa é a pergunta do milhão de dólares, mas que obviamente não pode deixar de ser feita, porque também é fácil botar o dedo na ferida, mas também não tentar buscar minimamente sugerir uma resposta longe de mim, ousar, querer ter respostas ou soluções para algo que, como a gente disse, é histórico e cultural. Mas o que eu sugiro ali, a minha provocação, é isso. Eu acho que, de novo, a gente tem que olhar e voltar ainda nas bases, nas raízes, pensar em construir isso desde a formação de nível de graduação jurídica, talvez ainda não nos primeiros semestres ali, onde há um grau de imaturidade, não no mau sentido da expressão ali, mas de um aluno muito jovem ainda, que ainda não se ambientou sequer com os conceitos societários.

Às vezes as próprias matérias de direito societário são postas muito precocemente no currículo, onde o aluno ainda não tem a experiência, a prática, seja no universo jurídico, seja com conexão mínima com a realidade de mercado, para poder bem assimilar aqueles conceitos. Mas enfim, eu acho que o caminho que eu enxergo, que seria o mais prudente, é tentar congregar as duas matérias. Por isso que eu falo de uma cadeira de finanças e contabilidade corporativa. O que significa dizer que eu não acho que basta em tratar como algumas faculdades, como eu mencionei, já o fazem, de modo mais ou menos intenso, ter só uma cadeira de finanças ou ter uma cadeira de contabilidade. Porque isso às vezes também incide no pecado de uma certa miopia de considerar apenas autonomamente essas ciências sem fazer essas conexões e interdisciplinaridade tão necessária entre elas para as boas compreensões. Então eu acho que seria necessário para o âmbito do aluno de direito, pensando na boa formação futura, do advogado corporativo, ainda que ele siga uma carreira executiva de jurídico interno, ou de cálcio, enfim, eu acho que se deve congregar essas duas matérias numa única cadeira, trazendo onde eles se conectam os conceitos, óbvio, sem abdicar de conceitos base mínimos dos dois universos, mas congregando essa análise numa temática comum.

Até porque, de novo, também não se espera, como eu mencionei, que se vá formar financistas ou contabilistas. Para isso, teremos sempre os cursos próprios, seja de administração, seja de contabilidade, seja os pós-graduações respectivos. Mas o que a gente quer e está provocando aqui, buscando que se potencialize a formação jurídica do advogado empresário. Então a minha sugestão é que se tente empacotar ali numa matéria única que também não precisa ser esgotada em um único período. Às vezes ela pode ser modular dentro das várias cadeiras de societária à medida que a coisa for evoluindo, até porque há também nuances e conexões dessa matéria com a temática de direito tributário, com a de direito recuperacional, enfim. Mas eu acho que essa é a minha percepção, o meu sentimento de que talvez a coisa fosse melhor conduzida, se congregando, unificando e se buscando essas interseções para a partir delas elas serem tratadas, até porque isso tornaria a análise das matérias e sua compreensão muito mais interessante, justamente porque a gente teria maior empirismo nisso.

E por fim, diante do sucesso dessa pergunta, na última temporada a gente continua nessa nova temporada, a pergunta de quem é você na pessoa física. Conta um pouquinho mais para a gente dos seus gostos, dos seus interesses, como você usa seu tempo livre e se você também ouve episódios de podcasts que não sejam jurídicos, que possam informar também os nossos ouvintes. Puxa, essa na verdade é a pergunta mais difícil de se responder, porque a gente falar da gente mesmo é sempre delicado e complicado. A gente se olha sempre sobre conceitos que não necessariamente representam a realidade aos olhos alheios. Mas enfim, falar da gente na física, quem eu sou na física, pode ser mais perigoso ainda, vai que tem um credor ouvindo um negócio desse. Uma hora eu ainda acabo me enrolando aqui. Bom, mas brincadeira à parte, até para facilitar a resposta, e invertendo aqui a sua pergunta, começando de trás para frente, falando de podcasts eu tenho dois cativos do universo jurídico, são obviamente o direito empresarial café com leite, que como eu bem mencionei no início, induvidosamente hoje o maior acervo técnico que você bem construiu ali ao longo dos anos com a contribuição de uma gama belíssima de profissionais e professores e eu gosto muito também do direito de resposta, e aí fazendo um jabalheio aqui se você me permite, mas é o nosso querido amigo e também conselheiro do Ibrademp do Renato Sapiro, lá do Direito de Resposta, que tem uma pegada e uma proposta diferente da Direito Empresarial Café com Leite, mas que eu acho super legal também.

Então esses são os dois que no universo jurídico eu não abro mão deles. Fora isso, eu confesso que ouço muito menos podcast do que gostaria, seja em função do corre-corre de outurno, seja justamente em função de, no tempo livre, a gente quer fazer um pouquinho do que a gente gosta extra-altos, vamos dizer assim. E aí eu gosto de ouvir de vez em quando, quando eu tenho um tempinho, o Market Makers, eu gosto bastante dele. Mas aí chegando em quem eu sou, o que eu faço. Bom, acho que o Henrique na física é um cara que adora estar com a família. Eu sou um cara muito caseiro, adoro estar com minha mulher, com meu filho, viajando com eles, curtindo, indo pro campo ver o galo, ou mesmo em casa. Enfim, tomando meu vizinho. Adoro cozinhar. sou metido a chefe de vez em quando adoro estar com os meus amigos adoro essa vida institucional esse engajamento acadêmico institucional de Ibradempis da Vidas e instituições de pós-graduação, participar de papos como esse não sou um cara com muitos mistérios e muito sofisticado sou um mineirinho ainda bem caipira mesmo muito obrigada pela sua presença e até a próxima Amanda, eu que agradeço o gentilíssimo convite, esse papo super gostoso uma alegria enorme estar aqui ser uma satisfação sempre que puder a gente ter outros papos no futuro um abraço e agora sou eu que quem conta com você lá no Ibrademp na nossa comissão, um abraço a todos a nossa xícara de café com leite foi devidamente tomada agradecendo aqui a nossa convidada pela presença, a vocês pela audiência se vocês tiverem sugestões comentários, não deixem de me procurar no LinkedIn, Amanda Taíde, no Instagram, Direito Empresarial Café com Leite e também, caso vocês tenham meu contato, podem me mandar mensagem no WhatsApp.

Um abraço a todos. Tchau, tchau.